PROF. MÁRCIO ESCREVE

   

PERCA SEU CLIENTE!

Reflexões acerca da qualidade no atendimento, ou falta dela, nas organizações

- Pronto moço, pronto moça!
- Fala freguês!
- Aguarde um minutinho!
- Não gostou, procure outra loja.
- Desconto!? Você deve estar brincando!?
- “!”
Exemplos claros da falta de qualidade no atendimento, fatos que estão presentes em nosso dia-a-dia e acabam por fazer diferença no bolso dos próprios profissionais de atendimento. Nosso país, assim como todos os outros, enfrenta o desafio da qualidade no atendimento.
Pode não parecer, mas o atendimento é importante, atrai divisas e, hoje, é menos rentável que no passado. Então, o atendimento piorou? Na verdade, não. O que mudou foram os referenciais de atendimento. Pois, apesar de o atendimento ser local, atualmente a concorrência é global, graças à tecnologia da informação. No passado isto não acontecia. Havia uma conformação com os padrões de atendimento recebidos. Ou seja, se tudo o que existia era mau atendimento, você aceitava aquilo como certo e seguia a sua vida.
Há algum tempo, fizemos uma viagem de estudos, num curso de Qualidade que ministrei. No primeiro dia, ao chegarmos ao hotel, orientei os participantes para que atentassem ao atendimento, do início ao fim. Dentre as observações, pode-se citar: alto padrão de hospitalidade na recepção e em todo o tempo de permanência no hotel; presteza e rapidez nos serviços de quarto, sem taxas extras para serviços como lavanderia, por exemplo; e atenção do proprietário, que além de recepcionar os hóspedes, ainda nos ciceroneou num passeio pela cidade e nos acompanhou até o destino seguinte em nossa viagem. No segundo dia, outro hotel, outro atendimento e a mesma orientação. Os relatos vieram norteados por um padrão comparativo, do gênero “lá no outro era assim, aqui é assado”. Obviamente, o “assim” sempre era melhor que o “assado”. Não tendo sido contemplados os itens constantes da primeira experiência, a segunda trouxe insatisfações a alguns membros do grupo.
Tudo isto acontece, também, nos estabelecimentos comerciais, industriais, escritórios, igrejas, sociedades, etc.. Qualquer pessoa que receba um bom atendimento cria um padrão comparativo. A partir deste modelo de comportamento e seguindo o título deste artigo, listamos abaixo alguns passos importantes para você criar um péssimo padrão comparativo e perder o seu cliente. Um recado a quem está mais interessado nas vendas do que nos clientes. Vamos às importantes dicas:
1. Se o cliente reclamar, ignore-o. Se ele entendesse de negócios, estaria vendendo e não comprando, certo?
2. Quando o cliente entrar em seu estabelecimento, examine-o bem, de cima a baixo. Ele não só pode ser pobre, como pode ser ladrão. Não se preocupe com os processos!
3. Cliente bom paga sem “pechinchar”. Se ele pedir desconto, deve estar de olho na sua comissão. Diga não ao cliente que “pechincha”!
4. Aquele cliente que olha, olha, olha e não compra nada é um *?#~@?*!%?§?#*! Deixe este cliente de lado! Simplesmente não o atenda!
5. O importante é ter o produto. Cliente é igual mosca, sempre aparece!
6. Sabe aquele cliente que sempre aparece nas horas mais impróprias, deixe-o esperando. Quem sabe ele se conscientiza e desaparece.
7. Divulgação certa é a boca-a-boca. Deixe por conta do cliente. Ele que se vire!
8. Se o estabelecimento estiver escondido, os clientes vêm pelo mistério do lugar. Confie!
9. Se o cliente se tornar íntimo, livre-se dele! Ele vai começar a dar sugestões para melhorar o negócio. Livre-se deste chato!
10. Quando o cliente achar que viu um produto, preço ou atendimento melhor em outro lugar, não perca o seu tempo. “Mande-o” comprar lá! Corra com ele! Se preciso saia no braço!
11. Discuta todos os assuntos com o cliente. Ele tem que saber que você tem suas opiniões e acatá-las. Isso é transparência!
12. Chame a atenção dos seus funcionários e colaboradores na frente dos clientes. Afinal, de certa forma, eles também são clientes e “cliente” tem que se pôr em seu lugar.
É, cliente é um ser estranho. Se é bem atendido, ele divulga este atendimento para cerca de três pessoas. Se ele for muito bem atendido, divulga para sete pessoas, em média. Porém, se ele for mal atendido, ele divulgará o seu negócio para mais de vinte pessoas. E, sendo muito mal atendido, ele divulgará para cinqüenta pessoas, pelo menos. Assim, se você pretende divulgar “bem” a sua empresa, atenda mal o seu cliente. Ele terá um referencial de mal atendimento, o seu negócio ficará famoso e você nunca mais terá que se preocupar com marketing ou atendimento. Todavia, se você fechar as portas em função disto, não diga que foi por falta de aviso.
Mas, não se desespere, acontece com muita gente, “que atende mal”, no mundo todo. Comece hoje, comece agora, perca o seu cliente. Muitos já começaram, verifique se você está no grupo e boa viagem!


Abração de coração e muitos Momentos Mágicos em Sua Vida!

Prof. Márcio